Este será o ano da retomada de créditos

  • Carolina Barros Pires - 23 janeiro, 2019 - Publicações

O ano de 2018 foi um desafio. Começou com debates acerca da Reforma da Previdência, seguiu com a greve dos caminhoneiros e finalizou o último trimestre com uma campanha eleitoral presidencial cercada de incertezas.

Contudo, mesmo em meio ao caos surgiram parcos sinais de melhora. Houve uma leve recuperação da produção, tímida diminuição da taxa de desemprego e inicial ascensão financeira dos consumidores e empresas.

É nessa toada que o ano de 2019 projeta otimismo. A realização de uma reforma fiscal e a contenção da inflação são importantes para a concretização das previsões de crescimento da economia e ascensão da indústria e comércio, o que desde já coloca o Brasil entre os mercados emergentes mais promissores deste ano.

Nesse contexto, é aguardado o reaquecimento das atividades de recuperação de crédito e cobrança. A retomada da economia criará oportunidades para estabilização da situação financeira das empresas e dos consumidores, o que sinaliza uma excelente oportunidade para recuperação de créditos ‘perdidos’ no mercado. A redução da taxa de juros possibilita aos endividados melhores condições de negociação de seus débitos. Atrelado a isso, o recuo do desemprego permitirá aos consumidores retomarem suas fontes de renda e criará oportunidades para pagamentos de dívidas há tempos esquecidas.

Além disso, será necessário aos inadimplentes negociarem seus passivos para possibilitarem a manutenção de parcerias comerciais e viabilizarem a tomada de novos empréstimos e financiamentos, itens essenciais para acompanharem a retomada da economia.

De acordo com o Serasa Experian, o Brasil teve a primeira queda na taxa de reincidência de pessoas com dívidas em atraso desde 2015. Na mesma linha, as Recuperações Judiciais caíram 0,8% em 2018, o que indica a pequena – mas existente – reanimação das empresas em crise.

Ao que tudo indica, agora é a vez dos credores retornarem à patamares seguros de inadimplência e superar o longo período de recessão amargado desde 2015. Todavia, é necessário estar preparado. A formação de uma boa base de cobrança é essencial para não chegar atrasado e encontrar apenas bolsos vazios.

Carolina Barros Pires, é especialista em Direito Empresarial e Negociações, é sócia responsável pela área de Recuperação de Crédito do Chenut Oliveira Santiago Advogados